Foi a expressão que Francisco Cardoso, professor da Universidade de Coimbra e CTO na Eneida, usou para descrever as universidades no podcast de hoje do Ineo. No entanto vai de encontro à democratização do ensino superior a que se tem assistido ultimamente (promovida com o objectivo de melhorar os números de Portugal na União Europeia). Claro que depois encontrar emprego para tantos Senhores Doutores torna-se um problema.
Pessoalmente concordo com a ideia que a Universidade devia ser uma escola de elites, em que o objectivo central não seria ensinar, mas avançar a ciência, a cultura, a tecnologia, avançar o conhecimento. Claro que seria preciso ensinar, para transmitir o actual conhecimento, práticas e métodos à próxima geração. Mas esse ensino seria porque os alunos estavam interessados no tema e em continuar a investigação (não necessariamente a nível académico, mas também a nível industrial e comercial, onde aplicável).
Mas é óbvio que não podemos deixar que a maioria da população se fique pelo 12º, pelo que seria importante a existência de escolas superiores, essas sim com o objectivo de ensinar conhecimentos mais especializados para os alunos passarem às respectivas cadeiras e encontrarem um emprego modesto, que lhes satisfaça as suas necessidades, mas onde não travem o desenvolvimento de quem realmente quer aprender mais, e ter iniciativa para contribuir para o progresso.
Há algum tempo que tento mudar a mediocridade que se tem instalado nas universidades, e que também foi referida por Francisco Cardoso, em que entram cada ano num curso 150 (ou até mais) alunos que tencionam tirar um mestrado (agradecimentos a Bolonha) e uma grande parte dos mesmos apenas para arranjar um emprego. Felizmente as universidades abordam os melhores alunos e propõem-lhes que participem nos projectos de investigação a decorrer. Mas isto não salva a baixa barreira existente nas aulas hoje em dia, retirando o prestígio às universidades, que já não podem afirmar que têm a elite da sociedade nas várias áreas. Até podem ter, mas está diluído num mar de mediocridade.